🚀 Modelos melhores. Produtos piores?

Abri o Instagram essa semana e incontáveis Reels de pessoas anunciando "gerenciador de anúncios da Meta com IA". Abri o LinkedIn e a história se repetiu, com uma roupagem um pouco mais séria.

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Eric Grassi
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🚀 Modelos melhores. Produtos piores?

Abri o Instagram essa semana e incontáveis Reels de pessoas anunciando "gerenciador de anúncios da Meta com IA". Abri o LinkedIn e a história se repetiu, com uma roupagem um pouco mais séria.

Vale lembrar que a Meta já tem gerenciador de anúncios. Tem API. Tem MCP oficial que conecta agente direto. O que essas pessoas estão construindo é uma camada em cima de outra camada que já resolve o problema.

E não é por mal. É porque ficou trivial construir. Em uma tarde com Claude Code você levanta o app, conecta a API, prompta o agente e tem produto pronto pra postar. Aí a pergunta deixa de ser "isso resolve um problema?" e vira "consegui fazer rodar?".

Essa é a confusão dessa fase da IA. Construção barata virou sinônimo de produto bom.


O que tem pra hoje

  • GPT-5.5, DeepSeek V4, Gemini 3.1: o que os lançamentos da semana mudam (e o que não mudam)
  • Canva voltando a ser ferramenta de verdade pra geração de imagens
  • Math Rock lá do Canadá que o Dave Grohl curtiu
  • Por que automatizar contratos com IA generativa coloca seu negócio em risco
  • Um convite sincero que pode te ajudar

🎵 Música da Semana

Angine de Poitrine, Vol. II

Dupla mascarada de Quebec, math rock e roupas de bolinha preta e branca. Quando você vê parece esquisito. Quando escuta também.

Mas tem uma coisa que me prendeu. Eles fazem composições microtonais, mudanças de compasso constantes, estrutura quebrada de propósito. Esse ano viralizaram numa sessão da KEXP com milhões de views, ganharam Artista do Ano no GAMIQ no fim do ano passado, e o Dave Grohl, dos Foo Fighters, disse que eles "absolutely blew my mind".

Tenho ouvido o Vol. II, que saiu em abril, e o que mais me chama atenção é o quanto eles quebram padrão. Num momento em que o algoritmo só recompensa o que é parecido com o que já bombou, ser estranho (ou só original mesmo) virou estratégia. Ouvir banda fora da curva força ouvido novo, e isso vale tanto pra música quanto pra construir negócio.

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Construir ficou fácil. Construir o que importa, não.

Tem uma matéria do TechCrunch que resume bem o momento: "VCs predict strong enterprise AI adoption next year, again". O "again" é o ponto.

Tem três anos que o discurso é o mesmo: o ano que vem é o ano da IA na empresa. E em 2026 os modelos finalmente fizeram a parte deles. Nas últimas semanas tivemos uma sequência forte:

  • GPT-5.5 com 1M de contexto, melhor em código, debug e pesquisa, mais eficiente em token e com calibração de respostas significativamente melhor
  • DeepSeek V4 com 1M de contexto, MoE de 1.6 trilhão de parâmetros, open source sob MIT, e benchmark de coding superando o GPT-5.4
  • Gemini 3.1 Ultra com 2M de contexto multimodal nativo

Os modelos estão melhores. Mais baratos. Mais acessíveis. Isso é fato.

O que ainda não está claro é se a maioria das empresas vai capturar valor disso. E não é problema de tecnologia. É problema de produto (e muito processo!).

Eu vejo, tanto nas mentorias quanto no meu próprio dia a dia, um padrão que se repete. Empresa descobre que dá pra construir aplicação com IA. Empolga. Constrói rápido. E lança algo que faz exatamente o que uma plataforma existente já fazia, só que com uma camada extra de IA por cima.

O caso do MCP da Meta é só um exemplo. Vi a mesma coisa em CRM, gestão de e-mail, organizador de arquivo, agendador de reunião. Soluções nascendo porque ficou fácil construir, não porque alguém precisava.

E aqui entra o que vai separar quem captura valor de quem só queima energia: fundamentos clássicos de produto e design. Saber pra quem você está construindo. Por que aquilo importa. O que muda na rotina da pessoa quando ela usa. Onde a IA acelera, onde ela atrapalha, e onde ela só adiciona ansiedade.

Eu não sou um negacionista da IA, na verdade sou usuário intenso. Uso pra mentoria, automação, conteúdo, desenvolvimento de produto. Não tenho dúvida de que a tecnologia entrega resultado real. Mas resultado de verdade só vem quando a IA é integrada de forma honesta na rotina das pessoas e na complexidade das organizações. Sem isso, vira uma camada a mais de trabalho disfarçada de produtividade.

A euforia vai se acomodar. Quem vai sobrar é quem, no meio do hype, manteve a disciplina de perguntar: isso resolve o quê, pra quem?

Referências:


🛠 Ferramenta da Semana: Canva

Pode parecer óbvio. Eu uso Canva há anos. Mas a versão atual é outra ferramenta.

A geração de imagem dentro do Canva era frustrante. Resultado genérico, integração pobre com os outros elementos, IA produzindo versões que não combinavam com o template. Você acabava abrindo outra ferramenta, gerando por fora, baixando e voltando.

Nas últimas atualizações isso mudou. Geração ficou consistente, os elementos saem alinhados com o resto do design, e a parte de edição (remover fundo, expandir cena, refazer um pedaço específico) está em outro patamar. Pra quem cria conteúdo pra negócio, resolve fácil 80% dos casos sem abrir mais nada.

A diferença real não é o modelo. É a integração com o fluxo de design. Bate direto com o ponto do artigo principal: produto bem feito vence modelo melhor solto na rua.

🔗 Canva


🎬 Vídeo do Canal: Automação de Contratos sem colocar dado em risco

Negócio que cresce gera contrato toda semana. Várias vezes. E muita gente está fazendo isso jogando texto bruto pro Claude, ChatGPT ou outro modelo generativo.

Tem dois problemas aí. Primeiro, dado sensível do cliente vai parar em prompt na nuvem de outra empresa. Segundo, modelo generativo alucina. Em contrato, alucinação não é arredondamento, é processo.

Gravei um vídeo mostrando uma automação simples que resolve isso sem nada disso. Sem IA generativa no caminho do dado, sem risco de alucinação em cláusula, sem dependência de plataforma cara. Rápido, confiável, barato. E disponibilizo a automação pra quem quiser usar.

Se você gera contrato pra cada negociação no seu negócio, esse fluxo te poupa horas e tira um risco real do processo, falo justamente por ter economizado muito tempo.

▶️ Assistir no YouTube


💡 Mentoria & Diagnóstico

Se você leu até aqui e se reconheceu, no "tô construindo demais" ou no "tô empilhando ferramenta sem clareza" ou até mesmo "nem sei por onde começar", essa é a conversa que eu mais tenho tido com empresários nos últimos meses.

A pergunta nunca é qual modelo usar. É onde vale automatizar, onde vale só simplificar, e onde a IA é distração que vai tirar o foco do teu negócio. Eu trabalho lado a lado com quem quer crescer com tecnologia sem terceirizar o pensamento estratégico.

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Quer aplicar isso no seu negócio?

Uma conversa gratuita pra entender o seu contexto e decidir, juntos, se faz sentido seguir.