🚦 Agora é o governo que libera a IA

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Eric Grassi
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Quinta-feira, dia 25, o Sam Altman mandou avisar o time da OpenAI que o lançamento do GPT-5.6 ia ter mudanças. O governo dos Estados Unidos pediu para a empresa não soltar o modelo para todo mundo de uma vez.

Em vez do lançamento normal, a liberação virou cliente por cliente. O governo aprova quem entra no preview, um a um, e a abertura mais ampla fica para semanas depois. Tudo amparado numa ordem executiva que dá ao governo até 30 dias de acesso antecipado aos modelos mais avançados antes de eles chegarem ao mercado.

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O próprio Altman fez questão de dizer que esse tipo de restrição não deveria virar regra. Mas, regra ou não, foi o que aconteceu.

E não foi a primeira vez no mês. Foi tema da edição passada: o Fable 5, da Anthropic, saiu do ar por decisão de governo poucos dias depois de ser lançado. Dois episódios em duas semanas, com as duas empresas mais avançadas do setor, apontando para a mesma direção.

A regulação da IA está sendo escrita agora, ao vivo, com erro e acerto no meio do caminho. E isso não é um detalhe técnico que só interessa a quem desenvolve modelo. É um sinal de que uma força que estava adormecida acabou de acordar.


O que tem pra hoje

  • Por que o governo americano está segurando o lançamento das IAs mais avançadas

  • As quatro forças da disrupção, e por que ignorar uma delas custa caro

  • Os Mutantes e uma música que carrega história

  • A ferramenta que me deixa trocar de modelo sem refazer nada

  • Vídeo novo: qual IA usar para cada tarefa, ChatGPT vs Claude vs Gemini


🎵 Música da Semana

Os Mutantes - A Minha Menina (1968)

Essa carrega uma história importante pra mim, dessas que eu guardo e não saio explicando por aí. Toda vez que toca, evoca uma história, e isso é o suficiente para ela merecer um espaço aqui.

Os Mutantes são uma daquelas raras bandas brasileiras que não copiaram de fora. Fizeram o caminho contrário. Pegaram samba, rock e psicodelia numa época em que ninguém juntava essas coisas, inventaram um som próprio no meio da Tropicália e acabaram virando referência para gente do mundo inteiro, de músico americano (Kurt Cobain) a banda inglesa décadas depois.

A Minha Menina é uma das mais conhecidas dos “Beatles Brasileiros”. Uma guitarra suja, uma percussão que não para e um refrão que gruda rápido demais.

Uma curiosidade que descobri ao pesquisar um pouco mais sobre a banda é que o nome da banda foi uma sugestão do Ronnie Von.

Tem uma lição escondida nisso, e que conversa com o resto da edição. O que dura não é quem sai fazendo o que está no hype. É quem tem coragem de fazer diferente quando todo mundo está fazendo igual.

Coloca para tocar.

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As quatro forças que decidem o seu futuro

Quando o governo segura o lançamento de um modelo, é fácil ler aquilo como notícia de tecnologia. Empresa grande, política americana, longe da minha realidade. Mas existe uma leitura bem mais útil para quem toca um negócio.

Toda disrupção, em qualquer mercado, nasce do movimento de quatro forças. Tecnologia, comportamento do consumidor, competição e ambiente regulatório. Quando uma delas se mexe com intensidade, o jogo muda. Quem leu o movimento antes sai na frente. Quem só reagiu depois, corre atrás o resto do caminho.

A gente passou os últimos dois anos com os olhos grudados em uma força só, a tecnologia. Modelo novo, recurso novo, lançamento atrás de lançamento. Compreensível, a velocidade foi absurda, ninguém quer ficar para trás nessa corrida da IA. Mas justamente por isso as outras três ficaram no ponto cego.

O que esses dois episódios do mês mostram é que o ambiente regulatório acordou. E ele pesa tanto quanto a tecnologia.

Pensa numa empresa que montou um pedaço da operação em cima de um modelo específico. De uma hora para outra, esse modelo só é liberado para clientes aprovados por um governo, ou some por decisão regulatória. Não foi falha técnica, não foi escolha da empresa. Foi uma das quatro forças se mexendo, e pegou todo mundo no contrapé.

Eu vi uma versão mais simples disso a semana inteira. Foi uma sequência de diagnósticos com empresários de áreas bem diferentes, e em quase todos aparecia o mesmo ponto cego. A pessoa olhava com lupa para a ferramenta, para a tecnologia, e quase não olhava para o cliente que estava mudando de comportamento, para o concorrente novo que estava entrando com mais caixa, ou para a regra que estava prestes a mudar no setor dela. Tecnologia em alta definição, o resto fora de foco.

E aqui está o ponto que vale para muito além de escolher qual IA usar. Essa mesma lógica vale quando você decide entrar num mercado novo, lançar um produto, mudar um processo. Antes de cravar a decisão, você precisa passar os olhos pelas quatro forças. A tecnologia disponível, o que o cliente está passando a esperar, quem são os competidores que podem entrar com mais capital e mais estrutura, e o que a regulação permite ou vai passar a permitir.

É natural que o ambiente regulatório mude quando algo novo aparece. Sempre foi assim, com a internet, com o uber, com as fintechs. Vem regra demais, depois regra de menos, depois o jogo encontra um equilíbrio. Faz parte do processo. O erro não está na mudança em si, o erro está em desenhar a estratégia fingindo que ela nunca vai acontecer.

Disrupção não premia quem corre mais rápido depois que o fato já aconteceu. Premia quem antecipou o movimento e se posicionou antes. E para antecipar, você precisa estar olhando para as quatro forças ao mesmo tempo, não só para a que está fazendo mais barulho.

Referências: TechCrunch · CNN Business


🛠 Ferramenta da Semana: OpenRouter

Já que o assunto é não ficar refém de uma peça que pode ser restringida ou sair do ar, a ferramenta da semana é justamente a que me protege disso. O OpenRouter.

Na prática, ele é uma porta única que conversa com quase todos os modelos do mercado. ChatGPT, Claude, Gemini, Deepseek, Qwen, Kimi e dezenas de outros, todos pelo mesmo lugar, com a mesma forma de chamar. Em vez de amarrar o seu sistema a um fornecedor só, você passa por ele e decide qual modelo usar em cada situação.

Eu uso bastante quando estou montando automação ou agente. Consigo testar a mesma tarefa em três modelos diferentes e ficar com o que entrega melhor, sem manter dez contas separadas e dez integrações diferentes.

Mas o ganho que mais importa fica claro numa semana como essa. Se um modelo é restringido, encarece ou sai do ar, eu troco por outro praticamente mudando uma linha. Não refaço a operação inteira. A peça muda, o processo continua de pé.

Não é para todo mundo montar hoje, e nem precisa. Mas se você está construindo algo de verdade em cima de IA, vale entender o conceito. Independência de fornecedor deixou de ser luxo de quem gosta de tecnologia. Virou gestão de risco.

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🎬 Vídeo do Canal: qual IA usar para cada tarefa

Fecha bem com o tema de hoje. Subiu um vídeo no canal onde eu coloco ChatGPT, Claude e Gemini lado a lado e mostro para que cada um é melhor.

A pergunta que eu mais escuto é “qual é a melhor IA?”. E a resposta honesta é que a pergunta está errada. Não existe a melhor. Existe a certa para cada tarefa. Um é mais forte para escrever, outro para ler e analisar um documento denso, outro para quem vive dentro do Google o dia inteiro.

Que é, no fundo, o mesmo assunto da edição. Quem aposta tudo em um modelo só fica exposto quando uma das forças se mexe. Quem entende a função de cada um, e tem como trocar quando precisa, fica no controle.

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📘 Só para quem lê esta newsletter: O Método da Inovação

Antecipar movimento não é dom, é método. A forma de olhar para as quatro forças, decidir onde a inovação entra com critério e onde ela só adiciona risco, está organizada num e-book que a gente preparou: O Método da Inovação.

É um material direto, para dono de empresa e líder que quer parar de tomar decisão de tecnologia no improviso e passar a enxergar com antecedência onde a inovação gera resultado de verdade no negócio. Sem hype, com um caminho prático.

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Antecipar é mais barato que reagir.

Se até as empresas mais avançadas do mundo estão sendo pegas de surpresa por uma das quatro forças, imagina um negócio que está olhando só para o próprio dia a dia.

É isso que eu faço com empresário que quer crescer com tecnologia sem ser atropelado por uma mudança que dava para enxergar antes. A gente olha para o seu contexto, mapeia onde a tecnologia, o cliente, a competição e a regulação estão se mexendo, e você sai com clareza do que priorizar e do que se proteger.

O primeiro passo é uma conversa de 30 minutos, sem compromisso.

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Se essa edição fez sentido, encaminha para alguém que está montando estratégia olhando só para a tecnologia e esquecendo as outras três forças.

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