O que perguntar a um fornecedor de IA

As perguntas que separam fornecedor sério de vendedor de expectativa, e o que exigir por escrito antes de assinar qualquer contrato de IA.

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Eric Grassi
·

O mercado de IA para empresas cresceu mais rápido que a capacidade de avaliá-lo. Chegam propostas com promessa de percentual de ganho, demonstração impressionante e prazo curto, e o dono da empresa não tem como saber, na conversa, o que é sólido e o que é encenação. Existe um conjunto de perguntas que separa uma coisa da outra, e nenhuma delas é técnica.

As perguntas sobre o problema

O que exatamente isso resolve, na minha operação?

Fornecedor sério devolve a pergunta antes de responder: quer entender o processo. Quem responde com uma lista de recursos está vendendo produto, não solução.

O que precisa estar organizado do meu lado para funcionar?

A resposta honesta nunca é "nada". Toda aplicação de IA depende de dado, de processo definido ou de conteúdo organizado. Fornecedor que diz que não precisa de nada seu está omitindo o trabalho que vai aparecer depois, geralmente como aditivo.

O que isso não faz?

A melhor pergunta do conjunto. Quem conhece o próprio produto responde rápido e com clareza. Quem hesita não delimitou o escopo, e escopo não delimitado vira discussão no meio do projeto.

As perguntas sobre a promessa

De onde vem esse número de ganho?

Se a proposta promete um percentual de economia, pergunte de qual cliente veio, em que contexto e como foi medido. Ganho de automação depende de volume, repetição e qualidade do processo atual. Nenhum desses três é conhecido antes de olhar a sua operação.

Proposta que promete percentual antes de olhar a operação está vendendo expectativa. Seriedade se parece com uma faixa e uma condição, não com uma promessa.

O que acontece se não atingir?

Não para transformar em contrato de risco, mas para ver a reação. Fornecedor confortável com a pergunta costuma ser o que já viu projeto dar errado e aprendeu com isso.

As perguntas sobre dados

Estas precisam de resposta por escrito, no contrato, não em conversa:

  1. Onde os nossos dados ficam armazenados, e por quanto tempo?
  2. Eles são usados para treinar modelos, de vocês ou de terceiros?
  3. Quem, na sua empresa, tem acesso a eles?
  4. O que é exportável se encerrarmos o contrato, e em qual formato?
  5. O que acontece com os dados depois do encerramento?

A LGPD trata o tratamento de dado pessoal como atividade que exige base legal, finalidade e responsabilidade definidas, e a responsabilidade continua sendo da sua empresa mesmo quando o tratamento é feito por um fornecedor. Por isso essas cinco não são burocracia.

As perguntas sobre o depois

Quem opera isso no dia a dia, do meu lado?

Se a resposta for que ninguém precisa, desconfie. Toda automação viva exige alguém que a acompanhe.

Como eu saio?

O que fica comigo: configuração, conteúdo, histórico, acessos? Fornecedor bom responde isso sem desconforto, porque sabe que a facilidade de sair é o que dá confiança para entrar.

Quem faz o trabalho no dia a dia?

Quem está na reunião comercial costuma não ser quem executa. Vale perguntar diretamente.

O sinal de alerta mais confiável

Pressa. Desconto por decisão rápida, vaga limitada, condição que expira. Projeto de tecnologia que muda processo não combina com urgência artificial, e quem usa esse recurso está resolvendo o problema de faturamento dele, não o seu.

Perguntas frequentes

E se eu não entender a resposta técnica?

Peça de novo, em linguagem de negócio. Fornecedor que não consegue explicar o que faz para quem paga tem um problema de clareza que vai reaparecer no projeto.

Devo pedir prova de conceito?

Vale, com escopo pequeno e critério de sucesso escrito antes. Demonstração com dados de exemplo prova pouco; prova de conceito com o seu caso prova bastante.

Quantos fornecedores comparar?

Três costuma bastar, desde que os três recebam a mesma descrição do problema. Sem isso, você compara propostas de escopos diferentes, e o mais barato costuma ser o que entendeu menos.

Antes de chamar fornecedor

Todas essas perguntas ficam mais fáceis de fazer, e as respostas mais fáceis de avaliar, quando a empresa já sabe qual problema quer resolver e quanto ele custa hoje. É esse trabalho que muda a posição na mesa.

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Fontes

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