Quanto investir em inovação por ano na sua empresa

Quanto investir em inovação por ano: o que os dados do IBGE mostram, por que não existe percentual mágico e como montar um orçamento liberado por etapas.

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Eric Grassi
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Não existe um percentual certo para todas as empresas. Como referência, a pesquisa de inovação do IBGE mostra que, em 2017, as empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas gastaram em atividades inovativas o equivalente a 1,95% da receita líquida de vendas do conjunto. O valor adequado para a sua empresa depende da estratégia, do risco que ela aguenta e da capacidade de executar, e deve ser liberado por etapas, não de uma vez.

A pergunta "quanto investir" costuma vir antes de outra mais importante: investir em quê, para chegar aonde? Um orçamento de inovação sem essa resposta vira uma verba que se gasta com o que aparecer primeiro. Com ela, vira uma ferramenta de decisão.

O que os dados mostram sobre investimento em inovação no Brasil?

A PINTEC 2017, pesquisa de inovação do IBGE que cobre o triênio 2015 a 2017, estimou um universo de 116.962 empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas. Os números ajudam a dar ordem de grandeza:

Indicador (PINTEC 2017)Valor
Taxa de inovação em produto ou processo, 2015 a 201733,6% das empresas
Dispêndio em atividades inovativas em 2017R$ 67,3 bilhões, 1,95% da receita líquida de vendas
Parte em P&D internoR$ 25,6 bilhões, 0,74% da receita
Parte em máquinas e equipamentosR$ 21,2 bilhões, 0,62% da receita
Empresas inovadoras com algum apoio do governo26,2%

Dois cuidados na leitura. Primeiro, o percentual é uma média do conjunto, puxada por empresas grandes e intensivas em tecnologia; não é meta para uma PME. Segundo, a pesquisa mede atividades inovativas formais, e muito do esforço de uma empresa menor aparece como horas da própria equipe, que raramente entram num orçamento.

Por que não existe um percentual mágico?

Porque o investimento certo depende de três fatores que variam muito entre empresas:

  • Estratégia. Uma empresa que quer defender a posição atual investe diferente de uma que precisa abrir um novo mercado.
  • Fôlego financeiro. Inovação envolve incerteza. O orçamento precisa caber no que a empresa aguenta perder sem comprometer a operação.
  • Capacidade de execução. Dinheiro que a equipe não consegue transformar em iniciativas concluídas vira projeto parado. Muitas vezes, o limite real é de gente, não de verba.

A própria PINTEC mostra o peso disso: entre as empresas inovadoras, os riscos econômicos excessivos e os custos elevados foram os obstáculos mais citados, por 81,8% e 79,7% delas, respectivamente.

O orçamento de inovação não é quanto a empresa quer gastar com o futuro. É quanto ela consegue aprender por ano sem colocar o presente em risco.

Como montar um orçamento de inovação na prática

  1. Comece pelas apostas, não pelo valor. Liste as duas ou três mudanças que a estratégia pede para os próximos 12 meses. Sem isso, qualquer número é arbitrário.
  2. Estime o custo do primeiro teste de cada aposta. Não o projeto inteiro: o menor experimento capaz de mostrar se a ideia funciona.
  3. Inclua o custo das pessoas. Horas de quem vai conduzir, testar e decidir. É o item mais esquecido e, em PMEs, frequentemente o maior.
  4. Libere por etapas. Cada aposta recebe verba para a fase atual. A próxima fase só é liberada se o teste atingir o critério combinado antes.
  5. Reserve uma parcela para o que não estava previsto. Uma oportunidade que surge no meio do ano não deveria precisar esperar o próximo ciclo.
  6. Revise a cada trimestre. Encerrar o que não funcionou libera recurso para o que funcionou. Encerrar cedo é sinal de método, não de fracasso.

Um exemplo ilustrativo, com números fictícios: uma distribuidora decide testar venda direta pelo WhatsApp e automação do pedido de reposição. Em vez de aprovar o projeto completo, aprova o custo de um piloto de oito semanas com um grupo de clientes, mais as horas do gestor comercial. Se o piloto atingir a meta de pedidos combinada, a fase seguinte é liberada; se não, o aprendizado custou o piloto, e não o projeto inteiro.

O que entra e o que não entra na conta

EntraNão entra
Experimentos e pilotos de novas iniciativasManutenção de sistemas que já funcionam
Horas da equipe dedicadas às apostasTroca de equipamento por desgaste
Ferramentas e serviços para testarLicenças de uso rotineiro
Capacitação ligada às iniciativasTreinamento obrigatório da operação
Apoio externo de diagnóstico e métodoCustos que existiriam de qualquer forma

A separação evita que o orçamento de inovação vire uma conta de TI disfarçada. O post sobre o que entra no orçamento de automação aprofunda essa conta para projetos de automação.

Existe dinheiro público para reduzir o custo?

Existe, com condições. A Lei do Bem (Lei nº 11.196, de 2005) permite excluir do lucro líquido, na apuração do lucro real e da base da CSLL, até 60% dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, percentual que pode chegar a 80% conforme o número de pesquisadores contratados. Por operar sobre o lucro real, o benefício não alcança empresas do Simples Nacional nem do lucro presumido.

A EMBRAPII, por sua vez, apoia projetos de inovação feitos com suas unidades credenciadas. Segundo as perguntas frequentes oficiais, no modelo tradicional ela aporta recursos não reembolsáveis de até um terço do valor do projeto, e há modalidade com apoio de até 50% para projetos contratados em conjunto por empresas, quando ao menos uma tem receita operacional bruta de até R$ 90 milhões.

Incentivos ajudam, mas não substituem a pergunta central. Um projeto que não faz sentido sem subsídio raramente passa a fazer sentido com ele.

Perguntas frequentes

Pequena empresa precisa ter orçamento de inovação?

Precisa ter, ao menos, uma decisão explícita sobre quanto tempo e dinheiro vai dedicar a testar mudanças. Sem isso, a inovação fica sempre para depois.

Devo usar um percentual do faturamento?

Pode ser uma referência inicial, mas o número precisa nascer das apostas e do custo de testá-las, não o contrário.

O que fazer se o teste não der resultado?

Encerrar, registrar o aprendizado e liberar o recurso. Esse é o mecanismo que protege o orçamento.

Investimento em IA e automação conta como inovação?

Conta quando muda de forma significativa como a empresa opera ou atende. Trocar uma ferramenta por outra equivalente, não. Para calcular o retorno, veja ROI de automação em PMEs.

Antes do número, a prioridade

Definir quanto investir em inovação fica muito mais simples quando a empresa sabe quais apostas merecem recurso agora. Um diagnóstico estratégico ajuda a chegar a essa lista com critério, e o orçamento passa a ser consequência dela.

👉 Agende um diagnóstico estratégico

Fontes

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