Quem lidera a transformação digital na empresa

Quem deve conduzir a transformação digital numa empresa média, por que TI raramente é a resposta e o que a pessoa certa precisa ter.

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Eric Grassi
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É uma das primeiras decisões do projeto e uma das que mais determinam o desfecho. Colocar a pessoa errada não atrasa a transformação, ela a inviabiliza, porque a autoridade para mudar processo não está onde a maioria das empresas coloca o assunto.

Por que TI raramente é a resposta

Não por competência. Por posição.

Transformação digital é, na maior parte, decisão sobre processo: o que deixa de existir, o que se padroniza, quem passa a fazer o quê. Essas decisões afetam áreas que não se reportam à TI, e ninguém muda o processo de uma área sobre a qual não tem autoridade.

O resultado clássico é conhecido: a TI entrega a ferramenta, as áreas não mudam o jeito de trabalhar, e o projeto é registrado como fracasso de tecnologia quando foi um problema de mandato.

Tecnologia é o meio. Se quem lidera só tem autoridade sobre o meio, o projeto entrega meio.

O que a pessoa certa precisa ter

Quatro coisas, em ordem de importância:

1. Autoridade para mudar processo

Ou ela tem, ou ela tem acesso direto e frequente a quem tem. Sem isso, cada mudança vira negociação longa e o projeto morre de lentidão.

2. Tempo alocado

Não como tarefa adicional. Transformação conduzida nas sobras da agenda avança nas sobras do ritmo. Se a empresa não consegue reservar tempo, ela está dizendo, na prática, que o assunto não é prioridade, e essa é uma informação útil de se admitir cedo.

3. Entendimento do negócio

Precisa saber onde a empresa ganha dinheiro e o que o cliente valoriza. Isso pesa mais que conhecimento técnico, que pode ser contratado.

4. Trânsito entre as áreas

Alguém que consegue sentar com comercial, operação e financeiro sem que nenhum se sinta invadido. Em empresa média, isso costuma ser uma característica pessoal, não um cargo.

Os arranjos que funcionam

ArranjoQuando funcionaRisco
O próprio dono conduzEmpresa pequena, dono disponívelVira mais um item na agenda do gargalo
Um diretor de área com mandato ampliadoEmpresa média com liderança maduraViés para a área de origem
Alguém dedicado, reportando ao donoHá volume de frentes que justifiqueVira função isolada se não tiver trânsito
Consultoria conduzindo sozinhaNunca funciona bemMudança não fica quando o contrato acaba

A última linha merece ênfase. Consultoria ajuda a enxergar, estrutura o caminho e acelera a execução, mas se ninguém interno responde pelo assunto, a mudança sai junto com o consultor.

O comitê que atrapalha

Comitê grande, com representante de cada área, é um mecanismo de veto, não de decisão. Ele serve para alinhar e informar. Para decidir, alguém precisa ter a caneta.

O desenho que costuma funcionar é: uma pessoa responsável, um patrocinador com poder de destravar, e uma reunião curta e frequente em vez de uma reunião longa e mensal.

O sinal de que a liderança está errada

  • As decisões do projeto ficam paradas esperando alguém que não está na sala.
  • As entregas são todas de tecnologia, e nenhuma de processo.
  • A comunicação com as áreas é de aviso, não de construção.
  • Quando algo trava, a resposta é "a área não colaborou".

O último é o mais revelador. Área que não colabora quase sempre não foi envolvida na decisão que a afeta.

Perguntas frequentes

E se o dono não quiser delegar?

Então ele conduz, e precisa reservar tempo real. O que não funciona é ele reter a decisão e delegar a condução, porque aí a pessoa que conduz não consegue avançar.

Precisa ser alguém técnico?

Não. Precisa entender o suficiente para fazer boas perguntas e para não ser convencido por argumento técnico que esconde decisão de negócio.

E se ninguém na empresa tiver esse perfil?

Aí a escolha honesta é entre desenvolver alguém, com apoio externo por um período, ou reduzir a ambição do projeto ao que a empresa consegue conduzir hoje. As duas são decisões legítimas; começar grande sem quem conduza não é.

Antes de nomear

A escolha fica mais fácil quando a empresa já sabe quais frentes vai atacar e em que ordem, porque aí o perfil necessário fica evidente. É esse mapa que o diagnóstico estratégico produz.

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Fontes

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