Como fazer um fluxograma de processo, passo a passo

Como fazer um fluxograma de processo: os símbolos básicos, o passo a passo para desenhar com a equipe, um exemplo ilustrativo e os erros mais comuns.

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Eric Grassi
·

Para fazer um fluxograma de processo, defina onde o processo começa e termina, liste as atividades na ordem em que realmente acontecem, marque os pontos de decisão e desenhe tudo com poucos símbolos padronizados: início e fim, atividade, decisão e setas de fluxo. Depois, valide o desenho com quem executa o trabalho. Um bom fluxograma mostra o processo como ele é, não como deveria ser.

O fluxograma é uma das ferramentas mais antigas da gestão e continua útil porque transforma uma conversa abstrata ("o pedido demora") em algo que todos podem apontar com o dedo ("o pedido para aqui, esperando aprovação"). Este guia mostra como desenhar um, com foco na prática de uma pequena ou média empresa.

O que é um fluxograma de processo?

É a representação gráfica da sequência de atividades de um processo, com as decisões e os caminhos alternativos. Cada símbolo tem um significado, e as setas mostram a ordem. A metodologia de gestão de processos da Controladoria-Geral da União define notação como um conjunto padronizado de símbolos e regras que determinam o significado desses símbolos. É isso que permite que duas pessoas leiam o mesmo desenho da mesma forma.

Existem várias notações. A mais difundida em gestão de processos é o BPMN (Business Process Model and Notation), mantido pelo Object Management Group e descrito por ele como uma notação para ser usada diretamente por quem desenha, gerencia e executa processos. Para a maioria das PMEs, porém, um subconjunto pequeno de símbolos resolve. A notação completa faz sentido quando o desenho vai virar especificação de sistema.

Vale separar duas coisas. O post sobre mapeamento de processos antes de automatizar trata do porquê mapear. Aqui o assunto é o como: a técnica de desenhar o fluxo.

Quais símbolos usar no fluxograma?

SímboloForma comumSignificado
Início e fimOval ou círculoOnde o processo começa (o gatilho) e onde termina (a entrega)
AtividadeRetânguloUma tarefa executada por alguém ou por um sistema
DecisãoLosangoUma pergunta com respostas que levam a caminhos diferentes
FluxoSetaA ordem entre as etapas
Documento ou dadoRetângulo com base onduladaUm documento gerado ou consultado
RaiasFaixas horizontais ou verticaisQuem executa cada atividade (pessoa, área ou sistema)

As raias, ou swimlanes, merecem atenção especial. Elas mostram quem faz o quê e, sobretudo, onde o trabalho muda de mãos. É nas passagens entre raias que costumam estar as esperas e os erros.

Como fazer um fluxograma de processo, passo a passo

  1. Escolha um processo e dê um nome com verbo. "Faturar pedido", "admitir funcionário", "atender reclamação". O verbo obriga a pensar no resultado.
  2. Defina início e fim. Qual evento dispara o processo? Qual entrega o encerra? Sem essas fronteiras, o desenho cresce sem parar.
  3. Reúna quem executa. O gestor conhece o processo desenhado; quem executa conhece o processo real. Precisa das duas visões, mas a segunda manda.
  4. Liste as atividades em ordem. Primeiro em notas adesivas ou numa lista, sem se preocupar com o formato. Uma atividade por nota, começando com verbo.
  5. Identifique as decisões. Onde o caminho se divide? "O cliente tem cadastro?", "O valor passa do limite de aprovação?". Cada decisão vira um losango com as saídas nomeadas.
  6. Distribua as atividades nas raias. Uma raia por pessoa, área ou sistema envolvido.
  7. Desenhe as setas e confira os caminhos. Todo losango precisa de todas as saídas. Todo caminho precisa chegar a um fim.
  8. Marque esperas, retrabalho e dúvidas. Um sinal simples ao lado da atividade já ajuda: onde o trabalho para, onde volta, onde ninguém sabe ao certo o que acontece.
  9. Valide com quem não participou. Peça a alguém que executa o processo para ler o desenho e apontar o que está diferente da realidade.

Papel e notas adesivas funcionam muito bem na primeira versão. Depois, qualquer ferramenta de diagrama serve para passar a limpo.

Exemplo ilustrativo: aprovação de compras

O exemplo é fictício, para mostrar a lógica. Uma distribuidora com 40 funcionários desenha o processo "aprovar compra de material de escritório".

  • Início: um colaborador precisa de material.
  • Raia do solicitante: preenche pedido por e-mail.
  • Raia do administrativo: confere se o item está no estoque. Decisão: "tem em estoque?". Se sim, entrega e o processo termina. Se não, pede três cotações.
  • Raia do gestor da área: decisão: "valor acima do limite da área?". Se não, aprova. Se sim, encaminha para a diretoria.
  • Raia da diretoria: aprova ou recusa.
  • Raia do financeiro: emite o pagamento.
  • Fim: material entregue ao solicitante.

Ao desenhar, a equipe percebe três coisas que ninguém tinha dito em voz alta: o pedido por e-mail se perde com frequência, as três cotações são exigidas até para itens de valor irrisório e a aprovação da diretoria espera, em média, a reunião semanal. Nenhuma dessas descobertas exigiu software. Exigiu desenhar o processo real.

Quais os erros mais comuns ao fazer um fluxograma?

Um fluxograma bonito do processo que deveria existir é menos útil que um rascunho honesto do processo que existe.

  • Desenhar o processo ideal. O objetivo do primeiro desenho é retratar a situação atual. A versão melhorada vem depois.
  • Detalhe demais. Se cada clique vira um retângulo, ninguém lê. Comece no nível de atividade; detalhe só onde houver problema.
  • Losango sem todas as saídas. Decisão com uma saída só esconde o caminho de exceção, que é justamente onde moram os problemas.
  • Esquecer quem faz. Sem raias, o fluxograma não mostra as passagens de responsabilidade.
  • Desenhar sozinho. O gestor sozinho desenha a versão do manual, não a da operação.
  • Desenhar e arquivar. O fluxograma é ponto de partida para melhorar, padronizar ou automatizar. Se não gera decisão, foi exercício.

Fluxograma, SIPOC e mapa de processo: qual usar?

As ferramentas se complementam e costumam ser usadas em sequência:

FerramentaNível de detalheQuando usar
SIPOCVisão macro, 4 a 5 etapasPara delimitar o processo antes de detalhar
FluxogramaAtividades, decisões e responsáveisPara entender e discutir como o trabalho acontece
Modelagem em BPMN completoRegras, eventos e exceções em detalheQuando o desenho vai orientar um sistema ou automação

Uma PME raramente precisa começar pela notação completa. Começa melhor por um fluxograma simples e honesto.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre fluxograma e mapeamento de processos?

O mapeamento é a atividade de entender e documentar um processo, que pode incluir entrevistas, indicadores e problemas. O fluxograma é uma das formas de representar o resultado desse mapeamento.

Preciso usar BPMN?

Não necessariamente. Para discutir e melhorar um processo, poucos símbolos bastam. O BPMN completo é mais útil quando o desenho vai orientar um sistema, porque é preciso o suficiente para isso.

Quanto tempo leva para desenhar um fluxograma?

Um processo de complexidade média costuma caber numa ou duas sessões com a equipe. O que mais consome tempo não é desenhar, é chegar a um acordo sobre como o processo realmente acontece.

Qual ferramenta usar para fazer o fluxograma?

A primeira versão funciona bem em papel e notas adesivas. Para passar a limpo e compartilhar, qualquer ferramenta de diagrama resolve; um quadro digital como o Miro tem modelos prontos de fluxograma.

O desenho como ponto de partida

O fluxograma não melhora nada sozinho. Ele cria um entendimento comum sobre como o trabalho acontece, e é a partir desse entendimento que fica possível decidir o que eliminar, o que padronizar e o que vale automatizar. Esse encadeamento, do entendimento à decisão e depois à ferramenta, está no centro do guia O Método da Inovação.

👉 Conheça o guia O Método da Inovação

Fontes

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