Como fazer o inventário de processos da empresa

Um método simples para listar todos os processos da empresa em uma semana, sem virar projeto e sem parar a operação.

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Eric Grassi
·

Mapear um processo é trabalho conhecido. Saber quais processos existem na empresa, esse é o passo que quase ninguém dá, e é o que impede a maioria dos projetos de melhoria de escolher bem por onde começar. Sem inventário, a empresa melhora o processo de quem reclamou mais alto, que raramente é o que mais custa.

Este texto descreve um método que cabe em uma semana e não exige consultoria.

O que é um inventário de processos

Não é a documentação dos processos. É a lista deles, com pouca informação por linha, o suficiente para comparar e priorizar. Documentar vem depois, e só para os que forem escolhidos.

A diferença importa: empresas que confundem as duas coisas começam documentando o primeiro processo em detalhe, gastam três semanas e param antes de chegar ao décimo.

O método, em cinco passos

1. Comece pelo que a empresa entrega, não pelo organograma

Liste os fluxos que atravessam a empresa de ponta a ponta, do ponto de vista do cliente ou do dinheiro:

  • Do primeiro contato até o pedido fechado.
  • Do pedido até a entrega.
  • Da entrega até o recebimento.
  • Da contratação até a pessoa produtiva.
  • Do problema relatado até o problema resolvido.

Cinco a oito fluxos cobrem quase toda empresa média. Organograma engana porque mostra caixas, e processo atravessa caixas.

2. Quebre cada fluxo em etapas grandes

De seis a doze etapas por fluxo, no máximo. Se você chegar a trinta, está detalhando cedo demais.

3. Preencha cinco colunas por etapa

E só cinco:

ColunaPor quê
Quem fazRevela dependência de pessoa
Com que ferramentaRevela onde o dado é digitado de novo
Quantas vezes por mêsÉ o multiplicador de qualquer ganho
Quanto tempo levaEstimativa grosseira basta
O que dá errado com frequênciaÉ onde mora o retrabalho

4. Faça isso com quem executa, não com quem coordena

A diferença entre o processo descrito pelo gestor e o processo praticado pela equipe costuma ser grande, e a versão praticada é a verdadeira. Vinte minutos com cada pessoa que executa valem mais que um dia de reunião de coordenação.

5. Some e ordene

Frequência multiplicada por tempo dá horas por mês. Ordene por esse número, e olhe também a coluna de erro. As primeiras cinco linhas dessa lista são a sua pauta dos próximos meses.

O inventário não serve para saber como a empresa funciona. Serve para saber onde ela gasta, e esses dois mapas quase nunca coincidem.

Os erros que estragam o exercício

  • Detalhar demais. Inventário é lista, não manual.
  • Fazer sozinho, na sala. O resultado vira o processo que você imagina que existe.
  • Julgar durante o levantamento. Se a pessoa sentir avaliação, ela descreve o processo ideal, não o real.
  • Parar na lista. Inventário sem decisão vira mais um documento. Ele existe para escolher.

O que costuma aparecer

Três descobertas se repetem em quase toda empresa que faz esse exercício pela primeira vez:

  1. Existe um processo consumindo muitas horas que ninguém considerava importante, geralmente de conferência ou de transporte de informação entre sistemas.
  2. Duas áreas fazem a mesma coisa de formas diferentes, sem saber.
  3. Uma etapa inteira existe apenas para corrigir um problema criado numa etapa anterior.

A terceira é a mais valiosa. Ela costuma indicar que a solução não é automatizar a correção, é eliminar a causa.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva de verdade?

Numa empresa média, com cinco fluxos e vinte pessoas ouvidas, uma semana com dedicação parcial. O que estende é tentar documentar em vez de listar.

Preciso de alguma ferramenta?

Uma planilha resolve. Ferramenta de mapeamento é útil na fase de desenho detalhado, que vem depois e só para o que foi escolhido.

Com que frequência refazer?

Uma vez por ano, ou depois de uma mudança grande. Não precisa refazer do zero: atualizar as colunas de frequência e tempo já mostra o que mudou.

O que vem depois

O inventário responde por onde começar. O que fazer com o processo escolhido, documentar, simplificar, padronizar e só então automatizar, é a sequência que evita gastar tecnologia em cima de desorganização.

O e-book O Método da Inovação organiza esse caminho em cinco estágios, começando exatamente por essa clareza.

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Fontes

<!-- link interno sugerido: mapeamento-de-processos-antes-de-automatizar --> <!-- link interno sugerido: como-medir-o-tempo-gasto-em-tarefas-repetitivas --> <!-- link interno sugerido: como-identificar-gargalos-operacionais -->

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