Power BI, Looker ou relatório no próprio sistema

Como escolher onde os indicadores da sua empresa vão morar, e por que a ferramenta é a menor parte dessa decisão.

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Eric Grassi
·

A conversa sobre painel de indicadores quase sempre começa pela ferramenta e quase sempre deveria começar por outra coisa. Empresa que troca de ferramenta de dado sem resolver a origem do dado troca de tela e mantém o problema, agora com gráfico mais bonito.

Dito isso, a escolha existe e tem critério. Vamos aos dois níveis.

Primeiro nível: o relatório que já existe no seu sistema

Antes de comprar qualquer coisa, vale a pergunta desconfortável: o seu ERP, CRM ou sistema de gestão já entrega esse número? Na maior parte das empresas médias, a resposta é que entrega e ninguém configurou.

Relatório nativo tem duas vantagens grandes: o dado é o mesmo que o sistema usa para operar, e não há sincronização para quebrar. Tem uma limitação óbvia: ele só enxerga o que está naquele sistema.

Fique no relatório nativo quando o indicador que você precisa vive todo dentro de um sistema só.

Segundo nível: a ferramenta de painel

A hora de sair do relatório nativo é quando o indicador precisa cruzar fontes: venda do ERP com atendimento do CRM, custo da planilha com produção do apontamento. Aí você precisa de uma camada que junte.

As duas famílias mais comuns nesse nível:

  • Uma ferramenta ligada ao ecossistema Microsoft, forte quando a empresa já vive em Excel e no Microsoft 365, com capacidade de modelagem robusta.
  • Uma ferramenta ligada ao ecossistema Google, gratuita na versão básica, muito boa para conectar fontes na nuvem e publicar rápido.

O critério de escolha, de novo, é onde a sua empresa já vive e quem vai manter aquilo. Ferramenta poderosa sem alguém que a domine entrega menos que ferramenta simples bem cuidada.

Painel não é um problema de ferramenta. É um problema de acordo sobre o que cada número significa.

O trabalho que ninguém quer fazer

É aqui que os projetos de painel morrem. Antes de qualquer gráfico, alguém precisa decidir e escrever:

  1. O que é uma venda. Pedido, faturamento ou recebimento? Cada área responde diferente, e todas estão certas dentro da própria lógica.
  2. Qual é o período. Data do pedido, da entrega ou da nota?
  3. O que entra e o que não entra. Devolução, transferência, amostra, venda cancelada.
  4. Quem é o dono do número. Quem responde quando ele parece errado.

Sem esses quatro acordos, o painel gera reunião sobre o painel, e não sobre o negócio. É o sintoma mais reconhecível de projeto de dado mal fundamentado: metade da reunião discutindo se o número está certo.

Uma sequência que funciona

  1. Escolha cinco indicadores, no máximo. Não quinze.
  2. Escreva a definição de cada um, em uma frase, e valide com quem usa.
  3. Descubra de onde vem cada dado e o quanto ele é confiável hoje.
  4. Só então construa, começando pelo mais simples.
  5. Combine a rotina que olha o painel. Painel sem reunião é decoração.

O item 5 é o que separa empresa que decide com dado de empresa que tem painel.

Perguntas frequentes

Preciso de um data warehouse?

Provavelmente não no começo. Empresa média resolve muita coisa conectando direto nas fontes. A necessidade de uma camada intermediária aparece quando o volume cresce ou quando as consultas passam a atrapalhar o sistema de operação.

Posso continuar no Excel?

Pode, e para muitos casos é o certo. O Excel vira problema quando o mesmo número passa a existir em várias planilhas com valores diferentes, e ninguém sabe qual é a boa.

Quanto tempo leva para o primeiro painel útil?

Se as definições estiverem acordadas, dias. Se não estiverem, o tempo é gasto na discussão das definições, o que também é trabalho útil, só não é trabalho de tecnologia.

Antes de escolher a ferramenta

Escreva as cinco definições. É de graça, leva uma tarde e costuma revelar que áreas diferentes da empresa estavam medindo coisas diferentes com o mesmo nome.

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Fontes

<!-- link interno sugerido: dashboard-de-gestao-o-que-medir --> <!-- link interno sugerido: kpis-para-pequenas-empresas --> <!-- link interno sugerido: decisao-baseada-em-dados-cultura-data-driven -->

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